29 dezembro 2009

Por quê?

Pergunto eu.

O encanto pode acabar, o momento pode passar, o calor pode esfriar.
E quem vai dizer que não?

Não tenho o poder de fazer o vento soprar mais forte, o sofrimento desaparecer, as dúvidas se resolverem nem fazer com que qualquer medo se torne supérfluo.

Eu simplesmente não posso dizer que dará certo. Posso dizer apenas que tenho motivos suficientes para permanecer onde estou.

Eu estou aqui.
Você está aqui.

Por que não pode ser simples assim?

08 novembro 2009

Aniversário

Eu penso o que aconteceria se ninguém estivesse aqui para lembrá-lo.

Mais um aniversário e eu não preciso necessariamente viver para existir. Eu existo nas palavras que escrevi, nas coisas simples que te dei, na foto do seu mural, na sua memória.

Se minhas coisas e lembranças fossem apagadas, eu seria pela metade, eu seria "quase".

Como quase presença é falta.
Como quase real é imaginário.
Como quase alguém, eu seria ninguém.

No fim, é cada aplauso que faz minha vida continuar depois que apago a vela.

27 outubro 2009

Manhã de outubro

Os primeiros raios de Sol invadiram o quarto e o céu revelava um azul diferente.

Não havia nuvens, não fazia frio, não havia vento. Ainda assim, ela notou um azul diferente.
Naquela manhã de outubro, deitou-se ao Sol sentindo o calor percorrer seu rosto e lhe secar as lágrimas.

Piscou os olhos ainda um pouco inchados, esperando que a cura viesse por si só, mas nada aconteceu.

Não sabia descrever ao certo o clima que permanecia no ar.

Fraqueza, descrença, tristeza.

O peso que agora havia sobre seus ombros começara a incomodar e ela sabia que preferir não pensar sobre o assunto não resolveria.

Pediu forças para que não fizesse do caso um grande caso, para que não se deixasse abater por opiniões alheias e conseguisse, de fato, acreditar no que desejava acreditar.

Desta vez, era preciso ser forte como nunca havia sido antes. Ela sabia que, por mais que caminhassem ao seu lado, teria de caminhar sozinha e encarar esta nova jornada como uma oportunidade de aprendizado, superação, vitória.

A partir daquela manhã, ela teria que saber sentir-se um tanto bem maior.

03 outubro 2009

Por acreditar, conseguiu

Quando o vento cresce, parece que chove mais.

Mas você sabe que a chuva é só chuva.

Decidiu que a trilha sonora de sua vida seria perfeita, mesmo com o dia nublado, o ônibus lotado, a correria e as poucas horas de sono que agora fazem parte da sua rotina.
Foi feliz porque não esperou situação alguma, não procurou motivo algum, não pediu explicação alguma.

Decidiu simplesmente acreditar e, por acreditar, conseguiu.

Que vejam o que eu vejo. Na simplicidade e vastidão do seu ser, você merece o céu e a terra.

Desejo que você tenha paciência, apenas. Tudo há de vir se você quiser.

Que você tenha chuva, quando é preciso chover. Mas que, mesmo chovendo, você não vise recompensa, não espere elogios, nem lucros, nem fama.

Que você seja assim, como o Sol.

Sempre.

20 setembro 2009

16 setembro 2009

Acaso

O acaso aconteceu sutilmente. O encontro pareceu tão fácil.

O riso foi mais feliz.
A vontade existia com mais força.

Tudo se fez tão simples, até que o tempo passou. Perdeu-se a magia. Esqueceu-se da afinidade. Não houve esperança.

Não existiu nada valioso o suficiente que justificasse o querer e que fizesse o tudo bastar, mesmo quando se fica com o nada ou o muito pouco.

Embora nem toda distância seja ausência e nem todo silêncio seja esquecimento, com distância não se brinca e com falta de tempo também não.

É tão evidente,
O acaso foi só um acaso.

05 setembro 2009

Um pulo no escuro

De repente, a brisa cessou.
O azul dissipou-se e o céu escureceu, eu estava sozinha.

Tive medo, pensei em correr depressa como se a vida já não fosse rápida demais, mas qualquer passo era um pulo para o escuro e eu me perderia, eu sei.

Deitei de costas onde antes, no claro, existia grama e olhei para o alto procurando os raios de sol que antes cortavam o céu. Concentrei-me em ouvir o silêncio.

"A vida nunca poderá te dar segurança, somente oportunidades", dizia a sorte do dia. Em um segundo, um turbilhão de vozes ecoaram ao meu redor.

Vozes conhecidas e desconhecidas chocavam-se contra meus ouvidos por mais que eu tentasse protegê-los com as mãos.

"Por mais que demore, demora só no começo.", elas repetiam tão altas e desordenadamente que pareciam me obrigar a entender algo que eu não entendia.

"Por mais que demore, demora só no começo.", repeti baixinho, buscando compreender porque ainda demora se o começo já passou. Tudo emudeceu.

Abaixei as mãos, permaneci ali sem me mover e, por alguns instantes, uma brisa cálida me abraçou.
"Os olhos acostumam-se com o escuro, por isso sempre existe uma luz.", ela segredou, tornando-me grande e significante frente à imensidão do espaço.

"Ouça: você não está perdida.", uma voz familiar sussurrou em meu ouvido - minha própria voz.

Levantei no susto de seu sussurro. Olhei para os lados - ainda éramos eu, o nada e sua magnitude.

Sentei no chão com olhos cheios d’água. Cada gota que escorria por minha face tinha o brilho de cegar.

Com gratidão, sorri.
Sempre esteve aqui dentro.

Eu estava, incrivelmente, em paz.

30 agosto 2009

Permita-se

Experimente a vista daqui de cima.
Me dê sua mão, eu te levanto se você quiser.
Se você permitir, eu posso te ajudar.
Só não me puxe, eu não vou deixar.
Eu não vou afundar com você.

18 agosto 2009

Normal

É normal ter amigos em comum e nada para dizer um ao outro.

É extremamente normal não saber aniversários nem telefones de memória, descobrir personalidades por comunidades, acompanhar fotos, recados e frases escritas ao longo do dia como se a vida fosse novela.

O mundo é adaptável.

Ninguém mais se escandaliza, por isso é normal assalto, sequestro, violência. Seu corpo aprende um novo passo de dança, se adapta a menos horas de sono, a um novo ambiente, a uma nova rotina.

Nós somos adaptáveis, mas eu não me acostumo com essa montanha russa.

Eu vivo indo e vindo.
A inércia me leva e me desafia a achar um eixo de equilíbrio enquanto me deixa tonta.

Com a intenção de voar, eu pulo para o chão tentando errar.

Vê a incoerência? Não faz sentido algum.

12 agosto 2009

Falta

Deparo-me, se pudesse, com a sólida presença da falta.

Pego-a pelo braço, olho fundo em seus olhos:

- ...Por quê? – pergunto, atônita.

Desmancho-me em memórias sem contexto que me nocauteiam com a força e a presença utópica que me faz fraca.

Querem sair, gritar e ser sem poder sê-las, florescendo em mim um desejo amargo e ausente.

“Falta ar, falta algo.”, minha vida agoniza e eu nem sei sua vontade de ter e ser.

A falta.

Ansiava por sacudi-la, esbofeteá-la e por fim, derrotá-la, mas ela se faz camuflar ao perceber minha intenção.

- Então é isso? – me surpreendo.

E ela me deixa ao incessante tic tac do relógio de parede, acompanhando minha angústia e debochando de mim em silêncio.

Estática, falaz.

30 julho 2009

Adeus

Hoje dei adeus sozinha.

Querendo conservar a beleza e o momento, esmagava flores em livros e colocava plantas em jarros. Cultivava inocentemente o brilho.

Inventei suas perfeições e arranjei os motivos que você não me dava para suas ausências.

Você foi a minha melhor invenção.

Dei valor, porque tenho em mim valores - ninguém pode dar algo que não possui, nem ensinar o que não entende, nem conhecer aquilo que não estuda.

Ninguém vive aquilo a que não se dedica.

Na sua ausência ou presença, a porta estará aberta. Você sabe, eu sempre fui receptiva.

Mas eu não pretendo estar aqui quando você voltar.

Eu não vou estar.

21 julho 2009

Reciclo-me

Olho, agora, por outro ângulo.

Quando a casa está bagunçada e de pernas para o ar, é preciso ficar de cabeça para baixo para que faça sentido.

Rendendo-me a desordem, paro de tentar juntar o antes com o agora esperando obter algo no depois.

Agora, só existe o agora.

Cada verdade minha é um passo dado em busca de não sei o quê.
Cada passo dado é um caminho para não sei onde.
Cada caminho me transformará não sei em quê e me trará não sei quem.

Não sei, e não me incomoda não saber. Para encontrar-se é preciso, primeiro, estar perdido. Dou risada de mim mesma, surpreendo-me com os detalhes, as coincidências e os mistérios.

Permito-me, e acabo me descobrindo um pouco mais a cada riso, cada conversa, cada acaso.

26 maio 2009

Feita de palavras

Fascina-me, o querer dizer sem dizer.

Ser implícita é intencional, gosto do mistério em entrelinhas.
Aprecio textos cujos parágrafos mudam a mesa, o quarto e o tempo de lugar.

Sentir o aroma da frase, a textura da letra, a incógnita em reticências, o gosto amargo que pouquíssimas palavras podem causar.

Aqui, sou feita de palavras.
Traduzo o belo, a angústia, o sincero, a memória.

Faço-te próximo, mesmo distante.

Eu quero que cada abraço escrito aqueça.

17 maio 2009

Nossas cartas

Em ocasiões como essa eu abro aquela caixa.

Tiro do fundo do baú o colar de "para sempre", o chaveiro de golfinho, o ingresso de cinema. Parece que foi ontem.

Saber que você faz parte da minha vida me leva para frente. Encoraja-me, roubando-me um sorriso do rosto e renovando minha esperança de lembrar e ser lembrada.

Minha caixa nunca estará completamente cheia, pois sempre haverá espaço para mais uma lembrança que nos mostre que, no fim das contas, valeu a pena.

Depois que passa, a gente ri.
A gente sempre ri.

Nossas cartas.
Nossas histórias.

01 março 2009

Cativa-me

Escolho meus amigos pela pupila.
Pela alegria, angústia, verdade que ela carrega, mesmo quando todo o resto do corpo demonstra o contrário.

Procuro pessoas que sentem mais e pensam menos.
Pessoas de valor, de caráter, de palavra. Pessoas de princípios.

Não entre na minha vida para subtrair, eu só levo comigo pessoas que somam e multiplicam.
Não finja que se importa, não me abrace por abraçar, “seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito”.
Não sou exigente: quero muitas coisas simples, por isso pareço exigente.

Dê-me verdade e eu te estendo a mão.
Caminharemos juntos, lado a lado.

Cativa-me, e terás o melhor de mim

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