08 novembro 2009

Aniversário

Eu penso o que aconteceria se ninguém estivesse aqui para lembrá-lo.

Mais um aniversário e eu não preciso necessariamente viver para existir. Eu existo nas palavras que escrevi, nas coisas simples que te dei, na foto do seu mural, na sua memória.

Se minhas coisas e lembranças fossem apagadas, eu seria pela metade, eu seria "quase".

Como quase presença é falta.
Como quase real é imaginário.
Como quase alguém, eu seria ninguém.

No fim, é cada aplauso que faz minha vida continuar depois que apago a vela.

27 outubro 2009

Manhã de outubro

Os primeiros raios de Sol invadiram o quarto e o céu revelava um azul diferente.

Não havia nuvens, não fazia frio, não havia vento. Ainda assim, ela notou um azul diferente.
Naquela manhã de outubro, deitou-se ao Sol sentindo o calor percorrer seu rosto e lhe secar as lágrimas.

Piscou os olhos ainda um pouco inchados, esperando que a cura viesse por si só, mas nada aconteceu.

Não sabia descrever ao certo o clima que permanecia no ar.

Fraqueza, descrença, tristeza.

O peso que agora havia sobre seus ombros começara a incomodar e ela sabia que preferir não pensar sobre o assunto não resolveria.

Pediu forças para que não fizesse do caso um grande caso, para que não se deixasse abater por opiniões alheias e conseguisse, de fato, acreditar no que desejava acreditar.

Desta vez, era preciso ser forte como nunca havia sido antes. Ela sabia que, por mais que caminhassem ao seu lado, teria de caminhar sozinha e encarar esta nova jornada como uma oportunidade de aprendizado, superação, vitória.

A partir daquela manhã, ela teria que saber sentir-se um tanto bem maior.

03 outubro 2009

Por acreditar, conseguiu

Quando o vento cresce, parece que chove mais.

Mas você sabe que a chuva é só chuva.

Decidiu que a trilha sonora de sua vida seria perfeita, mesmo com o dia nublado, o ônibus lotado, a correria e as poucas horas de sono que agora fazem parte da sua rotina.
Foi feliz porque não esperou situação alguma, não procurou motivo algum, não pediu explicação alguma.

Decidiu simplesmente acreditar e, por acreditar, conseguiu.

Que vejam o que eu vejo. Na simplicidade e vastidão do seu ser, você merece o céu e a terra.

Desejo que você tenha paciência, apenas. Tudo há de vir se você quiser.

Que você tenha chuva, quando é preciso chover. Mas que, mesmo chovendo, você não vise recompensa, não espere elogios, nem lucros, nem fama.

Que você seja assim, como o Sol.

Sempre.

20 setembro 2009

16 setembro 2009

Acaso

O acaso aconteceu sutilmente. O encontro pareceu tão fácil.

O riso foi mais feliz.
A vontade existia com mais força.

Tudo se fez tão simples, até que o tempo passou. Perdeu-se a magia. Esqueceu-se da afinidade. Não houve esperança.

Não existiu nada valioso o suficiente que justificasse o querer e que fizesse o tudo bastar, mesmo quando se fica com o nada ou o muito pouco.

Embora nem toda distância seja ausência e nem todo silêncio seja esquecimento, com distância não se brinca e com falta de tempo também não.

É tão evidente,
O acaso foi só um acaso.

05 setembro 2009

Um pulo no escuro

De repente, a brisa cessou.
O azul dissipou-se e o céu escureceu, eu estava sozinha.

Tive medo, pensei em correr depressa como se a vida já não fosse rápida demais, mas qualquer passo era um pulo para o escuro e eu me perderia, eu sei.

Deitei de costas onde antes, no claro, existia grama e olhei para o alto procurando os raios de sol que antes cortavam o céu. Concentrei-me em ouvir o silêncio.

"A vida nunca poderá te dar segurança, somente oportunidades", dizia a sorte do dia. Em um segundo, um turbilhão de vozes ecoaram ao meu redor.

Vozes conhecidas e desconhecidas chocavam-se contra meus ouvidos por mais que eu tentasse protegê-los com as mãos.

"Por mais que demore, demora só no começo.", elas repetiam tão altas e desordenadamente que pareciam me obrigar a entender algo que eu não entendia.

"Por mais que demore, demora só no começo.", repeti baixinho, buscando compreender porque ainda demora se o começo já passou. Tudo emudeceu.

Abaixei as mãos, permaneci ali sem me mover e, por alguns instantes, uma brisa cálida me abraçou.
"Os olhos acostumam-se com o escuro, por isso sempre existe uma luz.", ela segredou, tornando-me grande e significante frente à imensidão do espaço.

"Ouça: você não está perdida.", uma voz familiar sussurrou em meu ouvido - minha própria voz.

Levantei no susto de seu sussurro. Olhei para os lados - ainda éramos eu, o nada e sua magnitude.

Sentei no chão com olhos cheios d’água. Cada gota que escorria por minha face tinha o brilho de cegar.

Com gratidão, sorri.
Sempre esteve aqui dentro.

Eu estava, incrivelmente, em paz.

30 agosto 2009

Permita-se

Experimente a vista daqui de cima.
Me dê sua mão, eu te levanto se você quiser.
Se você permitir, eu posso te ajudar.
Só não me puxe, eu não vou deixar.
Eu não vou afundar com você.

18 agosto 2009

Normal

É normal ter amigos em comum e nada para dizer um ao outro.

É extremamente normal não saber aniversários nem telefones de memória, descobrir personalidades por comunidades, acompanhar fotos, recados e frases escritas ao longo do dia como se a vida fosse novela.

O mundo é adaptável.

Ninguém mais se escandaliza, por isso é normal assalto, sequestro, violência. Seu corpo aprende um novo passo de dança, se adapta a menos horas de sono, a um novo ambiente, a uma nova rotina.

Nós somos adaptáveis, mas eu não me acostumo com essa montanha russa.

Eu vivo indo e vindo.
A inércia me leva e me desafia a achar um eixo de equilíbrio enquanto me deixa tonta.

Com a intenção de voar, eu pulo para o chão tentando errar.

Vê a incoerência? Não faz sentido algum.

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